Sem Prestar Contas a Ninguém

Embora ainda na casa dos trinta, Jon era um homem solteiro, e membro da igreja desde que se formou na faculdade. Ele sempre foi recluso e quase nunca recebia pessoas em seu apartamento. Em anos anteriores ele atendia aos cultos regularmente, mas pelos últimos três anos sua presença havia se tornado cada vez mais irregular.

Certo dia, seu pastor perguntou sobre o fato, e foi isso que precipitou seu afastamento final e sua saída da membresia. Naquela conversa o pastor descobriu que Jon tinha fortes objeções à confissão de fé da igreja — não a algum aspecto do seu conteúdo, e sim ao mero fato da sua existência. Ela era composta de “palavras de homens”. Além disso, o fato do pastor usar comentários na preparação dos sermões veio à tona, e Jon deixou claro que pensava que cristãos, e especialmente pastores, devem ser homens “de um só livro”.

Ele era um engenheiro e se orgulhava por ser perfeccionista, e então, a razão pela qual não convidava as pessoas para sua casa era porque não queria que ninguém soubesse quão desordenada era.

Quando seu pastor explicou que ele não era um homem que não fazia uso de comentários, e sim alguém com um comentário contínuo na sua mente, e este um tanto mal informado, Jon interpretou isso como confiança na “capacidade humana”. Havia muitos aspectos admiráveis na vida dele, mas havia uma característica comum a todos os aspectos dela. Ele não prestaria contas a ninguém por qualquer parte da sua vida. Respondia apenas a si mesmo, e era simples assim.

Ele não era um homem que não fazia uso de comentários, e sim alguém com um comentário contínuo na sua mente, e este um tanto mal informado.

E foi assim que ele se afastou da comunhão cristã completamente, se isolando de forma tão organizada quanto possível. Quando seu pastor apresentou o relatório aos presbíteros na sua última reunião, sumarizou a situação muito bem: “o pecado que o assolava era se negar a prestar contas, e por pura força de vontade ele conseguiu transformar o pecado que o assolava em uma virtude suprema. E ninguém irá lhe dizer o contrário”.


Todos os personagens e situações da série “Cinquenta Maneiras de Abandonar os Irmãos” são completamente fictícios. Contudo, os padrões descritos não o são, e sem dúvida serão reconhecidos de imediato por qualquer pastor experiente.


Autor: Douglas Wilson | Tradução: Thiago McHertt