A Oportunidade de Ouro

Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.

Provérbios 22.6.

Eduque seu filho com a consciência de que muito depende de você.

A graça é o mais poderoso de todos os princípios. Veja a transformação que ela causa quando afeta o coração de um pobre pecador — como ela derruba as fortalezas de Satanás, move montanhas, enche os vales, endireita o que estava torto, e dá luz a um novo homem. De fato, nada é impossível pela graça.

A natureza também é muito poderosa. Veja como ela luta contra o reino de Deus — como se opõe ao desejo de ser mais santo, como continua batalhando até o último suspiro. De fato, ela também é poderosa.

Mas, depois da natureza e da graça, sem dúvidas, não há nada mais poderoso que a educação. Os hábitos adotados na infância (se posso falar assim) são nossa responsabilidade, em sujeição a Deus. Tornamo-nos quem somos pela educação que recebemos na infância. Nosso caráter toma a forma do molde formado nos nossos primeiros anos de vida.

Tem pouco entendimento quem não discerne, em toda parte, os efeitos da educação nas opiniões e hábitos mentais dos homens. A criança traz do berço aquilo que se revela no decorrer da sua vida.

— Rev. Richard Cecil (1748 – 1810)

Em grande parte, dependemos daqueles que nos criaram. Deles recebemos um tom, um apetite, uma inclinação que se apega a nós por toda a nossa vida — às vezes mais, outras menos. Aprendemos o idioma com nossas mães e instrutoras, aprendemos a falar quase sem perceber e, sem dúvidas, ao mesmo tempo, aprendemos um pouco do seu jeito, costumes e mentalidade. Imagino que só o tempo irá revelar quanto todos devemos a percepções iniciais, e quanto em nós pode ser traçado às sementes lançadas por aqueles que cuidaram de nós durante a infância. John Locke, um erudito inglês, chegou a ponto de dizer: “De todos os homens com quem nos encontramos, 90% são como são, seja bom ou mau, útil ou não, graças a educação”.

E tudo isso é um arranjo misericordioso de Deus. Ele dá aos nossos filhos uma mente que recebe essas percepções como a argila. No começo da vida, Deus os dá uma disposição para crer no que você os diz, para seguir os seus conselhos e confiar na sua palavra, em vez de em estranhos. Ele dá a você, em suma, uma oportunidade de ouro para fazer o bem a eles. Certifique-se de não negligenciar a oportunidade, ou desperdiçá-la. Se deixar que se esvaia, a perderá para sempre.

Cuidado com a ilusão miserável na qual muitos caíram — de que pais não podem fazer nada por seus filhos; que você deve deixá-los por conta, esperar pela ação da graça, e acomodar-se. O desejo deles para os seus filhos é parecido com o de Balaão — querem que eles morram a “morte dos justos” (Nm 23.10), mas nada fazem para que vivam como tal. Eles desejam muito, e nada têm (Pv 13.4). E o diabo se alegra em ver tal raciocínio, assim como com qualquer coisa que pareça justificar a indolência, ou encorajar a negligência dos meios ordenados.

Eu sei que você não pode converter o seu filho. Sei muito bem que quem nasce de novo, não nasce “da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.13). Mas também sei que Deus ordena claramente: “Educa a criança no caminho em que deve andar”, e que ele nunca deu um mandamento ao homem para o qual também não tenha dado graça suficiente para obedecer. E sei, também, que nosso dever não é permanecer parados e debater, mas ir adiante e obedecer. Quando vamos adiante, Deus acompanha. É no caminho da obediência que ele concede a bênção. Basta fazermos como os servos no casamento em Caná da Galiléia: encher as talhas com água e confiar que o Senhor a transformará em vinho (cf. Jo 2.1-11).


Esta série de postagens foi extraída do livreto The Duties of Parents, e continuará conforme a ordem do sumário original. Para acessar as outras postagens, clique aqui.


Autor: J. C. Ryle | Tradução: Thiago McHertt