O Jovem e as Preocupações com o Futuro

Inclinado à Preocupar-se

Jovens (assim como os mais velhos) são suscetíveis a preocuparem-se com o futuro. Por causa da velha natureza, questões legítimas podem facilmente se tornar preocupações ilegítimas, dúvidas não saudáveis e medos que prejudicam e até mesmo nos paralisam. Assim como “por natureza sou inclinado a odiar a Deus e a meu próximo” (Cat. de Heidelberg, Resp. 5), sou também inclinado a me preocupar.

Eu deveria fazer um curso técnico ou ir para a universidade? Qual universidade? Será que vou conseguir boas notas para passar no vestibular? Que matérias deveria estudar? Quais cursos deveria fazer? E se eu não gostar? Terei dinheiro para pagar? E depois, serei capaz de pagar o financiamento estudantil? Ou então, será que eu deveria aprender alguma profissão ou fazer um estágio? Em que devo trabalhar? Isso proverá de fato o suficiente para minha família (se Deus me der uma), a mensalidade de uma escola cristã, minha igreja etc.? Será que serei capaz de conseguir um emprego nesses tempos de economia instável? Tenho ou terei as habilidades exigidas para isso?

Jovens são também inclinados a preocuparem-se com cortejo e casamento. “Quem eu deveria cortejar? Quem iria querer namorar comigo, já que não sou atraente, nem popular ou qualquer outra coisa? Será que alguém desejará se casar comigo? Eu provavelmente seria um cônjuge terrível! Eu não serviria para nada de bom num casamento! Como eu poderia lidar com as crianças? Será que Deus está me chamando para ser solteiro? E se for assim, o que os outros irão pensar?

A tentação de ficar preocupado com essas e outras coisas está presente de maneira especial na vida dos jovens, ou seja, dos que estão saindo da adolescência, com cerca de vinte anos, pois eles estão se aproximando de um período de transição nas suas vidas. Estão saindo da segurança de morar com os pais para viver situações nas quais terão de assumir mais responsabilidades e seguir o seu próprio caminho.

Preocupação é Pecado

A primeira coisa que devemos entender com bastante clareza é que preocupação é pecado. É apropriado e necessário pensar e planejar-se para o futuro (submetendo-se, é claro, à soberania do nosso justo e misericordioso Pai que está nos céus). Portanto, a ansiedade quanto os dias, meses e anos à frente denuncia a falta de confiança na bondade e sabedoria do nosso Deus pactual, pois isso contradiz nossa confissão da amorosa providência do nosso criador e redentor (Cat. de Heidelberg, DS 9 e 10).

Uma vez que a Escritura nos promete (também quanto ao futuro!) que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (v. Rm 8.28), não devemos nos desgastar com a ansiedade e medo, pensando que as coisas vão conspirar para nosso mal. Não suponha que “tudo está contra mim” (v. Gn 42.36), como fez Jacó na sua tolice. Isso é incredulidade pecaminosa!

Na metade do seu famoso Sermão do Monte (cf. Mt 5-7), que explica o chamado dos cidadãos do Reino de Deus, nosso salvador tratou da questão da preocupação (v. Mt 6.24-34). Ele nos proíbe de ficar ansiosos quanto a comida, bebida, roupas (para nós mesmos ou nosso futuro cônjuge e filhos) assim como os trabalhos exigidos para pagar tais coisas e a educação e treinamento necessários para esses trabalhos.

Escute com atenção as ordens conclusivas e cruciais de Cristo: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal” (v. Mt 6.33, 34). Creia e obedeça!

A Soberania de Deus e o Nosso Chamado

Quando nos preocupamos, ignoramos nossas limitações humanas de maneira tola, pois não sabemos e não podemos controlar o futuro. Estas são prerrogativas exclusivamente divinas, pois só o Senhor decretou e governa todas as coisas. Nossa vocação define a nossa responsabilidade. Os estudantes devem fazer um bom uso das habilidades dadas por Deus, estudando fielmente, como para o Senhor, e não apenas para o homem (v. Ef 6.5-8). Através da confissão da nossa constante preguiça e desobediência, Deus nos concede a pureza pelo sangue de Cristo (v. 1Jo 1.9).

Tratando-se da formação ou educação futura, procure conhecer as opções disponíveis, discuta as questões com os professores e/ou pais e/ou pessoas nessas áreas e, em seguida, decida, com base em informações suficientes. Os que buscam a glória de Deus ao tomar decisões (pequenas ou grandes) de acordo com os princípios bíblicos não têm razão para ficar acordados à noite, preocupados, mas devem dormir em paz sabendo que estão nas mãos graciosas do Senhor.

Os mesmos princípios se aplicam a respeito do trabalho. Que habilidades você tem? Quais são seus interesses? Que tipo de treinamento você precisa? Quais as oportunidades? Saiba mais sobre a empresa e posição que procura antes da sua entrevista. Faça o melhor que puder e deixe os resultados para o Deus soberano. Continue tentando, mesmo se no início não obtiver sucesso. O Senhor está com você enquanto você realmente procura servi-lo — isto é mais importante do que um trabalho, até mesmo que o trabalho ideal.

Tratando-se do cônjuge, se Deus deseja que você se case, você vai se casar. Nesse meio tempo o seu chamado é crescer na graça de forma que você esteja pronto para ser um marido ou esposa piedosa. Prepare-se para sua profissão de fé e faça da igreja o assunto central de sua vida. Participe dos estudos bíblicos e esteja presente nas palestras da igreja. Não use sua liberdade para viver no mundanismo.

Aqueles que verdadeiramente podem confessar: “Sou amigo de todos os que te temem e obedecem aos teus preceitos” (v. Sl 119.63) são os jovens homens e mulheres que serão abençoados no celibato (cf. 1Co 7.1, 7, 8), no cortejo (enquanto procura saber se esta é a pessoa biblicamente qualificada com quem Deus quer que você se case) e no pacto do casamento, de acordo com o propósito soberano de Jeová. Casamento, assim como este mundo atual, é temporário, “mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (v. 1Jo 2.17).

Confie e Ore

Embora seja errado se esquivar ou fugir das suas responsabilidades, amontoar e misturar os seus problemas e medos também é autodestrutivo. Pela graça de Deus, não ceda à autopiedade ou desespero se preocupando com o futuro.

Em vez disso, confie na bondade do Deus que sustenta você, o futuro e o mundo em suas mãos. Ore a ele por intermédio de Jesus Cristo, “lançando sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (v. 1Pe 5.7). Continuamente, e em especial quando você estiver se sentindo ansioso, traga todos os seus fardos ao Senhor, dizendo a ele todas as coisas que oprimem você e seus medos sobre o futuro. Nosso Pai celestial, como um bom Pai entende, conforta e guia seus filhos.

O Salmo 62.8 coloca isso muito bem: “Confiem nele em todos os momentos; ó povo; derramem diante dele o coração, pois Ele é o nosso refúgio”. Todos os nossos cuidados e preocupações se acumulam e pressionam o nosso coração. Libere-os através da oração ao Senhor e você encontrará nele “auxilio sempre presente na adversidade” (v. Sl 46.1), como Ana, em 1 Samuel 1 e 2, mesmo através dos longos e incertos anos da juventude.


Autor: Angus Stewart | Tradução: Lidi Cecilio | Revisão: Thiago McHertt