Dort e o Dia do Senhor

Muitos imaginam que o Sínodo de Dort se limitou à soteriologia em suas deliberações. Contudo, uma diversidade de assuntos foram considerados. Na quinta-feira, dia 16 de maio de 1619, o Sínodo pediu aos Estados Gerais dos Países Baixos para tratar sobre a guarda adequada do dia do Senhor. Na tarde seguinte, durante a Sessão 1641, o Sínodo adotou seis princípios sobre a observação do quarto mandamento. Ei-los:


Regras sobre a observação do shabat, ou dia do Senhor. Em acordo com os irmãos da Zelândia2 os seguintes conceitos foram esclarecidos e aprovados pelos doutores em teologia:

  1. No quarto mandamento da lei divina, parte é cerimonial, parte é moral.
  2. O descanso do sétimo dia após a criação era cerimonial e sua observação rígida foi prescrita particularmente ao povo judeu.
  3. Parte é moral de fato, pois um dia fixo e contínuo de adoração a Deus é designado para o descanso necessário para adoração a Deus e santa meditação nele.
  4. Com o shabat dos judeus tendo sido ab-rogado, o dia do Senhor é solenemente santificado pelos cristãos.
  5. Desde os dias dos apóstolos este dia sempre foi observado na antiga igreja católica.
  6. Portanto, este mesmo dia está consagrado para adoração divina, para que nele se possa descansar de todo trabalho servil3 (com a exceção de obras de caridade e necessidade) e das recreações que impedem a adoração a Deus.4

Notas:
1. Segundo Douglas Kuiper, na mesma sessão foi também adotada a Fórmula de Subscrição.
2. Província dos Países-Baixos.
3. Ou seja, a vocação regular.
4. H. H. Kuyper, De Post-Acta of Nahandelingen van de nationale Synode van Dordrecht in 1618 en 1619 gehouden een Historische Studie (Amsterdam, 1899), p. 184-186. versão em inglês: R. Scott Clark.


Autor: Thiago McHertt