Catecismo Covid-19: Perg. 04

Em tempos de pandemia e confusão, qual é a primeira tentação que deveríamos nos preocupar em resistir?

Eu diria que a primeira tentação que deveríamos estar resolvidos a resistir é a de ceder ao medo. Por isso começamos com nosso entendimento sobre quem Deus é — queremos ser tementes a Deus, e não tementes aos micróbios. Então, lembre-se que ele mantém controle absoluto sobre todas as coisas, incluindo todos os acontecimentos em tempos de pandemia e confusão, e lembre-se também que Deus é sempre bom, todo o tempo. Isso nos capacita a descansar nele, e a dar graças a ele pelo que está acontecendo.

Mas haverão ataques ao seu equilíbrio, e você será tentado a ceder ao medo. “E se alguém a quem amo pegar o vírus? E se alguém a quem amo morrer por causa do vírus? E se esse período de inatividade não for apenas temporário, e eu perder o meu emprego definitivamente?” Esses são questionamentos que podem encher a sua mente, em especial após um longo dia.

A propósito, além disso, eu insistiria que, em particular, toda as mulheres cristãs prestassem atenção a isso. Vocês são filhas de Sara, diz Pedro, se submeterem-se aos seus maridos, e não derem lugar ao medo (1Pe 3.6, NVI). E homens, tratem de cuidar das suas esposas, protegendo e tranquilizando-as em tempos assim. Com muita frequência acontece o contrário, quando os medos e ansiedades da esposa passam a conduzir e direcionar as decisões do marido. Então, para ambos, homens e mulheres, a virtude necessária em tempos como este é a coragem.

Mas é aqui que, com frequência, cometemos um grande erro. Sabemos que não devemos ser medrosos e ansiosos, e também que devemos ser firmes e corajosos, e então resolvemos preparar nossa mente e coração para que possam servir como um escudo para a paz de Deus, a qual pensamos ser essa pequena vela no fundo do nosso coração, derretendo, com sua chama vacilante. Resumindo, pensamos na paz de Deus como algo a ser protegido, e tentamos reunir coragem na nossa mente e coração a fim de protegê-la.

Mas é exatamente o contrário.

Note como Paulo organiza as coisas ao nos dizer para não andarmos “ansiosos por coisa alguma”:

Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.

— Filipenses 4.6, 7

Aqui, não é a paz de Deus que é protegida pelo escudo da nossa resolução. Antes, a resolução da nossa mente e coração é protegida pela paz de Deus. Ela é o escudo rígido, não o corpo tenro. Nós somos o corpo tenro; somos o que precisa de proteção.

E note ainda, voltando ao que vimos na pergunta 03, que a chave para colocar esse escudo no lugar é a “oração e súplica”. Mas não apenas oração e súplica, pois é possível ficar ansioso de joelhos. O texto diz “oração e súplica, com ação de graças”.


Autor: Douglas Wilson | Tradução: Thiago McHertt